“Recria tua vida, sempre, sempre”
Era uma vez, em agosto de 1889, meses antes de ser proclamada a República no Brasil, que nascia no interior de Goiás, Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas.
Ana foi crescendo e tornou-se doceira de mão cheia. Ainda adolescente, publicou seus primeiros textos em um jornal, mesmo tendo cursado apenas as quatro primeiras séries de ensino. Seu primeiro conto publicado foi “Tragédia na Roça”.
No ano de 1910, a jovem casa-se com Cantídio Tolentino Bretas, advogado e muda-se para o estado de São Paulo, onde vive por mais de 45 anos, passando por diversas cidades como: Avaré, Jaboticabal, Penápolis, Andradina e claro, a própria capital Paulista onde vendeu livros após a morte do marido.
“Não te deixes destruir...
Ajuntando novas pedras
e construindo novos poemas.
Recria tua vida, sempre, sempre.
Remove pedras e planta roseiras e faz doces. Recomeça.
Faz de tua vida mesquinha
um poema.
E viverás no coração dos jovens
e na memória das gerações que hão de vir.
Esta fonte é para uso de todos os sedentos.
Toma a tua parte.
Vem a estas páginas
e não entraves seu uso
aos que têm sede.”
Esse poema é uma autorreferência à vida de Ana e foi publicado há 34 anos, em outubro de 1981. Sim, a personagem desse texto é uma poetisa, brasileira, que retrata com singeleza as belezas do interior do Brasil, lugar para onde retornou em 1956, mais precisamente para o estado de Goiás.
Após completar 50 anos, a poetisa passa por profundas transformações e adota um pseudônimo, que a marca para a eternidade em seus trabalhos, que contem elementos folclóricos de parte de seu cotidiano. Escreve com simplicidade e com ela toca seus leitores pelo mundo.
Mundo este que procurava entender para saber exatamente o papel que deveria ocupar e representar nele. Isso reflete a sua busca pelas respostas das questões do dia a dia e descobre que o simples é na realidade a maior riqueza.
Para se ter uma ideia, seu primeiro livro foi publicado quando ela tinha 75 anos e seus poemas foram reconhecidos e elogiados por ninguém menos que Carlos Drummond de Andrade e isso faz com que sua popularidade aumente mais, tornando-se uma das maiores poetisas da língua portuguesa do século XX.
Tendo uma história de vida recriada sempre, falece em 1985, depois de ter publicado cerca de sete livros entre poesia, contos e infantis. A personagem desse texto, Ana, Aninha, em verdade fez-se...Cora Coralina, uma das mais importantes representantes da cultura e literatura brasileira.
Veja abaixo os títulos das obras publicadas por Cora Coralina:
- Estórias da Casa Velha da Ponte (contos)
- Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais
- Meninos Verdes (infantil)
- Meu livro de cordel
- O tesouro da casa velha (contos)
- A moeda de ouro que o pato engoliu (infantil)
- Vintém de cobre