Cultura é tradição no folclore brasileiro
Era uma vez um casal que trabalha em uma fazenda cheia de bois e que vivia muito feliz e mais felizes estavam, pois Catrina, a esposa, está grávida e seu marido, Francisco, mais conhecido como Pai Chico é capaz de fazer o que for preciso para agradar sua esposa grávida.
Eis que Catrina, em um rompante de desejo quer comer uma língua de boi e precisa ser do boi mais bonito da fazenda, aquele que sabe até dançar. Pai Chico então sai rumo a sua empreitada, assim, Pai Chico rouba o boi e o dono da fazenda sabendo do ocorrido, ordena que seus empregados saiam em busca do boi.
Ao encontrarem, o boi está muito doente e todos descobrem a verdadeira intenção de Pai Chico ao pegar o boi, então, o fazendeiro manda chamar os pajés para curar o boi e quando isso acontece, Pai Chico é perdoado e todos celebram a cura do boi em uma grandiosa festa.
Essa lenda, que surgiu no século XVIII, era uma forma de crítica e protesto em relação a condição social dos negros e índios no Brasil, é a história do Bumba meu boi, que combina comédia, drama, sátira e tragédia ao contar a lenda através da dança, música, teatro e circo.
É a junção de traços das culturas europeia, africana e indígena. O traço de cultura mais forte apresentado ficaria por conta de quem realizasse a encenação. Muito jesuítas realizavam como forma de catequizar índios, negros e até mesmo portugueses aventureiros, já que a teatralização da música tinha elementos muito fortes da tradição espanhola e portuguesa, que tentavam mostrar a luta da igreja contra o paganismo.
A festa do Bumba meu boi sofreu muita repressão por ser de origem escrava, mesmo sendo realizada também pelos brancos. Ele foi fortemente perseguido pela polícia e pelas elites nordestinas, já que é oriundo dessa região do Brasil, e o Bumba meu boi chegou a ser proibido entre 1861 e 1868.
O Bumba meu boi está presente em todo o país e carrega diversos nomes dependendo da região e estado: Boi-Bumbá, no Amazonas e no Pará; Bumba-meu-boi, no Maranhão; Boi Calemba, no Rio Grande do Norte; Cavalo-Marinho, na Paraíba; Bumba de reis ou Reis de boi, no Espírito Santo; Boi Pintadinho, no Rio de Janeiro; Boi de mamão, em Santa Catarina e boizinho no Rio Grande do Sul.
Os festejos do Bumba meu boi acontecem nos meses de junho e julho juntamente com as festas juninas, durantes as apresentações são utilizadas roupas muito coloridas e também instrumentos de percussão e de corda.
Tamanha a importância e significância desse folclore nacional que em dezembro de 2009 o Governo Federal instituiu o dia 30 de junho como Dia Nacional do Bumba meu boi.
O folclore que nada mais é do que “a cultura popular tornada normativa pela tradição”, segundo definição de Luiz da Câmara Cascudo, por isso, o povo, deve apodeirar-se dele como sua melhor representação e mais do que isso, transmitir essa cultura para que nunca se acabe.



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