O amor e o desamor traduzidos nas letras do Divino Mestre.
Angenor de Oliveira nasceu no Rio de Janeiro, em 11 de outubro de 1908, no bairro do Catete, mudou-se para Laranjeiras na infância e com 11 anos foi morar no lugar em que passaria o restante de sua vida, local esse que também o lançaria para o Brasil e o mundo e que deixaria uma marca eterna na cultura da música brasileira, o Morro da Mangueira.
Desde criança Angenor tocava cavaquinho, que aprendeu com o pai, e com isso participava das festas de rua junto com sua família. Aos 15 anos, depois da morte de sua mãe, deixa a escola e a família, passa a viver uma vida de boêmio e começa também a trabalhar e um dos trabalhos foi de pedreiro e ao exercer esse oficio o jovem usava um chapéu coco para que sua cabeça não se sujasse com cimento, daí nasceu seu apelido, forma como Angenor é mundialmente conhecido: Cartola.
O tempo passou e em 1928, Cartola e Carlos Cachaça e outros bambas do samba, fundam, graças a junção de vários blocos existentes no morro da Mangueira, o que seria a segunda escola de samba carioca, G.R.E.S Estação Primeira de Mangueira, cujo nome e cores foram escolhidos por Cartola.
Essa foi a letra do samba para o primeiro desfile da Mangueira:
“Chega de demanda
Chega!
Com este time temos que ganhar
Somos da Estação Primeira
Salve o Morro de Mangueira”
Cartola tornou-se compositor e vendia suas músicas, participava de programas de rádio com outros cantores e em 1941 formou o Conjunto Carioca que realizou apresentações pela cidade de São Paulo durante um mês.
Depois disso, sumiu do meio artístico repentinamente, dizem que ele mudou para a Baixada Fluminense atrás de uma paixão, seu desaparecimento foi tamanho que chegaram a dar-lhe como morto, inclusive músicas em sua homenagem foram feitas.
Foi redescoberto em 1956, trabalhando como lavador de carros e vigia em um prédio, foi Sérgio Porto (Stanislaw Ponte Preta) quem o encontrou e conseguiu para ele um emprego na Rádio Mayrink Veiga e no jornal Diário Carioca. Nesse recomeço a vida de Cartola já estava ligada com a de Eusébia Silva do Nascimento, Dona Zica, sua segunda esposa, com quem viveria até o fim de seus dias.
Apesar de todo o sucesso que já havia feito e de suas composições terem ganhado o mundo na voz de interpretes como Carmem Miranda, o “Divino Mestre”, como Cartola também era conhecido, foi gravar seu primeiro LP em 1974, intitulado “Cartola”.
No ano de 1978 passa a viver no bairro de Jacarepaguá em busca de mais tranquilidade, antes disso, porém, não deixou de desfilar em sua escola do coração, a Mangueira. Antes de sua morte, no dia 30 de novembro de 1980, decorrente de um câncer na tireoide descoberto uma ano antes, lançou seu quarto LP chamado “Cartola – 70 anos”.
Suas músicas mais conhecidas são “As Rosas não falam”, “Acontece”, “O mundo é um moinho”, entre tantas outras e uma marcante, não composta por ele, mas outro expoente compositor da música brasileira, Candeia, “Preciso me Encontrar” ficou marcada na voz do saudoso e eterno “Divino Mestre”.



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