
O intercâmbio cultural entre o Brasil e países da África é tamanho e sabido por todos e o que vamos abordar nesse artigo é um dos gêneros musicais e de dança mais populares e famosos do nordeste brasileiro e que nasceu da cultura angolana, de um estilo musical que tem origem no ressoar dos tambores, estilo esse chamado lundu.
Também há uma coreografia realizada enquanto se canta, essa dança é a mistura da cultura africana, da cultura portuguesa e do que já se tinha aqui no Brasil, por isso, trata-se de uma síntese dessas três culturas, muito apreciada e praticada no século XIX.
Dando um salto para a década de 1940, o baião ganhou novo frescor aqui no Brasil ao ser incorporada a sanfona e as composições daquele que ficou eternamente conhecido como rei do Baião, Luiz Gonzaga assim, esse “novo baião” tomou nova forma, disseminou-se pelo país e cruzou fronteiras, sendo conhecido mundialmente. Além da sanfona passam acompanhar também o agogô e o triângulo, as vezes chegando até a se usar uma orquestra para as apresentações de baião.
O estilo musical passa a ter força e significância total no Brasil a partir da gravação da música Baião, com uma letra convidativa e um ritmo envolvente, a música composta por Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira cai no gosto do brasileiro, veja a letra abaixo:
“Eu vou mostrar pra vocês
Como se dança o baião
E quem quiser aprender
É favor prestar atenção
Morena chegue pra cá
Bem junto ao meu coração
Agora é só me seguir
Pois eu vou dançar o baião
Eu já dancei balancê
Xamego, samba e xerém
Mas o baião tem um quê
Que as outras danças não têm
Quem quiser é só dizer
Pois eu com satisfação
Vou dançar cantando o baião
Eu já cantei no Pará
Toquei sanfona em Belém
Cantei lá no Ceará
E sei o que me convém
Por isso eu quero afirmar
Com toda convicção
Que sou doido pelo baião”
Muitos cantores passam a aderir o baião em seus repertórios e isso se dá principalmente a partir da década de 50, com Emilinha Borba, Ivon Curi, entre outros. Além disso, Luiz Gonzaga, como Rei do Baião tinha sua corte com Carmélia Alves tida como a rainha, Claudete Soares, a princesa e Luiz Vieira, o príncipe.
O Baião passou por um período no ostracismo da história musical brasileira, mas ressurgiu ao final da década de 70 pelas mãos de músicos como: Dominguinhos, Zito Borborema, João do Vale, Quinteto Violado e muitos outros.
O ritmo também inspirou outros, como a tropicália e o rock, em especial o produzido por Raul Seixas que com a junção do rock com o baião foi carinhosamente batizado de Baioque.
Suas letras costumam contar sobre o cotidiano do nordestino e as dificuldades da vida e ficou marcado para sempre na história da música e da cultura brasileira com músicas amplamente conhecidas e cantadas como Asa Branca, Mulher Rendeira, Baião de Dois, Baião da Penha, Boi Bumba e tantos outras.


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