quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Encontrados poemas inéditos de Carlos Drummond de Andrade

O poeta Carlos Drummond de Andrade nasceu na cidade de Itabira do Mato Dentro/MG, em 31 de outubro de 1902. Estudou em Belo Horizonte e quando estudava com os jesuítas no Colégio Alcântara de Nova Friburgo/RJ, foi expulso do colégio por “insubordinação mental”.


De volta a Belo Horizonte iniciou a carreira de escritor como colaborador no Diário de Minas e desde então, no ano de 1926, encanta e emociona aqueles que entram em contato com a sua obra. O poeta faleceu em 17 de agosto de 1987 na cidade do Rio de Janeiro.

E agora, para alegria de todos, foram encontrados três poemas inéditos de Carlos Drummond de Andrade, por uma aluna do curso de Letras da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) no interior do estado de São Paulo.

De acordo com informações do site catraca livre, a estudante Mayea Fontebasso, durante sua pesquisa de iniciação científica sobre textos da revista Raça, que foi publicada na cidade de São Carlos entre os anos de 1927 e 1934, eis que Mayea depara-se com três poemas de Drummond.



Ela e seu orientador, o professor Wilson José Marques, realizaram as pesquisas necessárias através de inventários e volumes que reúnem o trabalho do poeta e também consultaram o crítico e membro da Academia Brasileira de Letras (ABL), Antônio Carlos Secchin, que também é especialista na obra de Carlos Drummond de Andrade e receberam a notícia de que esses três poemas são inéditos.

Confira abaixo, na íntegra, um desses poemas, intitulado: “O poema das mãos soluçantes, que se erguem num desejo e numa súplica”

Como são belas as tuas mãos, como são belas as tuas mãos pálidas como uma canção em surdina...
As tuas mãos dançam a dança incerta do desejo, e afagam, e beijam e apertam...
As tuas mãos procuram no alto a lâmpada invisível, a lâmpada que nunca será tocada...
As tuas mãos procuram no alto a flor silenciosa, a flor que nunca será colhida...
Como é bela a volúpia inútil de teus dedos...

O poema das mãos que não terão outras mãos numa tarde fria de Junho

Pobres das mãos viúvas, mãos compridas e desoladas, que procuram em vão, desejam em vão...
Há em torno a elas a tristeza infinita de qualquer coisa que se perdeu para sempre...
E as mãos viúvas se encarquilham, trêmulas, cheias de rugas, vazias de outras mãos...
E as mãos viúvas tateiam, insones, − as friorentas mãos viúvas...

O poema dos olhos que adormeceram vendo a beleza da terra

Tudo eles viram, viram as águas quietas e suaves, as águas inquietas e sombrias...
E viram a alma das paisagens sob o outono, o voo dos pássaros vadios, e os crepúsculos sanguejantes...

E viram toda a beleza da terra, esparsa nas flores e nas nuvens, nos recantos de sombra e no dorso voluptuoso das colinas...


E a beleza da terra se fechou sobre eles e adormeceram vendo a beleza da terra...




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