Conhecido como um dos criadores da Bossa Nova juntamente
com Tom Jobim, Vinicius de Morais nasceu em 19 de outubro de 1913, carioca da
gema, filho de um funcionário público e poeta, Clodoalto Pereira da Silva e da
pianista Lídia Cruz, desde tenra idade mostrava interesse pela poesia.
E ainda
no início da juventude iniciou o desenvolvimento de suas habilidades musicais
ao entrar para o coral da igreja.
No ano de 1929 inicia a graduação no curso de Direito na
Faculdade Nacional do Rio de Janeiro. Em 1933, ano de sua formatura, Vinicius
publica O Caminho para a Distância.
Nunca exerceu a advocacia. Foi censor
cinematográfico até receber uma bolsa para estudar em Londres, no final da
década de 30, lá estudou inglês e literatura na Universidade de Oxford.
Foi aprovado no concurso para Diplomata em 1943 e
muda-se para os Estados Unidos, Los Angeles, onde assume como vice-cônsul. Também
exerce a diplomacia em Paris, por duas vezes, em 1953 e depois em 1963 e em
Montevidéu.
Em 1964 volta para o Brasil. No ano de 1968, depois da instauração
do Ato Institucional Número 5 (AI5), Vinicius foi aposentado compulsoriamente.
Paralelo aos afazeres como diplomata escreve o livro Cinco elegias.
Passa então a se dedicar exclusivamente a poesia e a
música popular brasileira, faz outras parcerias além da famosa e eterna com Tom
Jobim, como com Toquinho, Baden Powell, João Gilberto, Francis Hime, Carlos
Lyra e Chico Buarque.
Dessas parcerias nasceram obras primas que hoje são
clássicos da música popular brasileira, como Berimbau,
A Tonga da Mironga do
Kaburetê, Canto de Ossanha, entre tantas outras. Também compôs trilha sonora
épicas como a do filme Orfeu Negro, que ganhou a Palma de Ouro no Festival de
Cannes.
É importante destacar que Vinicius de Morais também
participou de shows e gravações de nomes como Chico Buarque, Elis Regina,
Dorival Caymmi, Maria Creuza, Maria Bethânia, Miúcha.
Também lançou um disco
cantando músicas infantis, no ano de 1980, chamado Arca de Noé, que deu origem
a um programa de televisão.
Sua produção pode ser dividida em duas fases, uma mais
mística e cristã, com músicas como O Caminho para a Distância e uma segunda
fase que fala mais sobre o cotidiano, ressalta o amor e a mulher, um bom
exemplo dessa fase é a música Ariana, a Mulher.
Uma parte de seu trabalho se
dedica a grandes temas sociais do período, sejam músicas ou poemas.
Vinicius de Morais era um grande amante do amor,
casou-se nove vezes e teve cinco filhos. Uma de suas marcas registradas era o
uísque que sempre tomava. Marcus Vinícius de Mello Moraes morreu no dia 09 de
julho de 1980, no Rio de Janeiro, em decorrência de problemas com a isquemia
cerebral.
Encerro esse texto
com um de seus poemas mais famosos e que não precisa de muitas explicações ou
opiniões, leia e sinta o Soneto de Fidelidade:
“De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento
E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.”
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.”



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