quinta-feira, 26 de novembro de 2015
Literatura de Cordel é marca da cultura brasileira
A Literatura de Cordel é uma poesia, muitas vezes escrita da forma como é falada, conhecida através do nordeste brasileiro, a região se apoderou dessa arte pelas mãos dos colonizadores portugueses que desembarcaram por lá, pois em seu país de origem esse tipo de literatura, exposta em barbantes e vendidos pelos próprios artistas que a produziam, era algo comum, bem como na Espanha e na França. Diz-se que a origem do cordel está no trovadorismo.
Os poemas são rimados e tem imagens em xilogravura na capa no interior dos livretos que podem ter de oito a 32 páginas e tem a medida de 11x16cm por página. Por serem geralmente produzidos e comercializados por seus autores é complexa a contagem de exemplares vendidos e tiragem de cada obra.
Para atraírem possíveis compradores, os artistas além de expor os trabalhos em barbantes, recitam seus poemas com um violão, cadência e melodia.
Esse tipo de literatura já sofreu muito preconceito, inclusive com movimentos que pediam a morte do cordel, hoje em dia os textos têm sido cada vez mais valorizados nacional e internacionalmente, pois ele expressa de forma pura a singela a cultura brasileira com histórias contadas através da observação do dia a dia, do contexto do país e de histórias e causos contados.
A Literatura de Cordel se espalhou pelo país juntamente com a migração dos nordestinos e hoje está presente em diversos estados como Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, entre outros.
Esse último, inclusive, abriga a Academia Brasileira de Literatura de Cordel (ABLC), fundada em 1988 e que têm em seu site informações sobre a história do cordel, as métricas para fazer um, os principais nomes do cordel e também alguns exemplares digitalizados e as imagens e xilogravura.
Caso você nunca tenha tipo um contato direto com esse tipo de literatura, leia abaixo um cordel intitulado Ai! Se sêsse!... que é um dos exemplares digitalizados no site da Academia: http://www.ablc.com.br/ :
Ai! Se sêsse!...
Autor: Zé da Luz
Se um dia nós se gostasse;
Se um dia nós se queresse;
Se nós dois se impariásse,
Se juntinho nós dois vivesse!
Se juntinho nós dois morasse
Se juntinho nós dois drumisse;
Se juntinho nós dois morresse!
Se pro céu nós assubisse?
Mas porém, se acontecesse
qui São Pêdo não abrisse
as portas do céu e fosse,
te dizê quarqué toulíce?
E se eu me arriminasse
e tu cum insistisse,
prá qui eu me arrezorvesse
e a minha faca puxasse,
e o buxo do céu furasse?...
Tarvez qui nós dois ficasse
tarvez qui nós dois caísse
e o céu furado arriasse
e as virge tôdas fugisse!!!
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