quinta-feira, 31 de março de 2016

Brinquedo em um ou em todos os dias?

Muitas escolas escolhem um dia na semana, geralmente a sexta-feira, como o Dia do Brinquedo, mas será mesmo que é válido esse um dia ou talvez todos dias poderiam ser dia do brinquedo

As respostas a essa pergunta costumam vir com argumentos sem muitos embasamentos científicos e nem fundamentação teórica. Muitas vezes a resposta é a famosa justificativa de que é regra da escola, como resposta negativa para entrada na escola de objetos estranhos.
As escolas costumam adotar um dia na semana por acreditar que o brinquedo vai mais atrapalhar, complicar e gerar conflitos, do que algo que pode auxiliar no desenvolvimento educacional e de convivência entre todos os alunos

Existem outras tantas justificativas para o não uso do brinquedo diariamente, como a preocupação de o brinquedo ser quebrado e todo o desgaste que isso pode trazer não só na relação entre as crianças, mas também com a família.
Em muitos casos, quando acontece de o brinquedo quebrar a maneira como a família aborda a escola parece somente focar no prejuízo material e assim a escola e os professores são acusados de negligência. 
Nessa hora o docente deve mostrar aos pais que mais importante do que um brinquedo quebrado, são os ricos momentos de socialização que o brinquedo favorece.
Outra justificativa para não se adotar o brinquedo diariamente é o receio da criança não prestar atenção de fato nas atividades. Pode-se concluir que todos os argumentos rumam para a antecipação e a não existência do conflito, entendido como algo negativo, que deve ser evitado. 



O que pode gerar um problema, de não se formar cidadãos autônomos, que conseguem lidar com situações como essas.
É preciso entender que o papel do brinquedo vai além do lúdico, existe um teor afetivo, pois no momento em que a criança leva o brinquedo para escola, ela leva junto um pedaço do lar, do seu porto seguro. 
E as questões conflituosas que por ventura surgirem devem ser muito bem aproveitadas pelos educadores para a construção de uma boa convivência entre todos.
As crianças pequenas geralmente disputam o brinquedo e isso é natural da fase na qual se encontram, para o seu desenvolvimento. Essa atitude egocentrista é mais acentuada até os 6, 7 anos, pois ainda não conseguem reconhecer e perceber outras perspectivas que não sejam as delas próprias. 
Por isso, é extremamente importante o papel do adulto, ao promover momentos em que todos possam dizer o que sentem e o que desejam, isso constrói a autonomia.
Já sobre qual o melhor momento para liberar o brinquedo na sala de aula, isso deve ser definido, e muito bem definido entre todos, regras construídas pelo grupo e respeitadas por todos, esse trabalho de regulação e não de controle também favorece a construção da autonomia e do respeito a regras e ao próximo.
Proibir ou não, limitar e quanto limitar o brinquedo pode ser menos trabalhoso para o docente e para a escola, mas deve ser utilizado para auxiliar no desenvolvimento da autonomia do aluno, como um cidadão. 
Além disso, utilizar o brinquedo diariamente na escola, traz menos expectativa do que esperar um dia na semana. E isso também auxilia a gerar menos ansiedade e consequentemente menos probabilidade de confusão e conflito. 
É apenas uma questão de habituar a criança ao momento diário do brinquedo, estimular a troca de brinquedos e de ideias, o cuidado com o que é seu e o que é do outro, enfim, o respeito e amor ao próximo.


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