Quando se fala em arte a principal questão que surge é: o que é arte? Como entender a arte? Há o senso comum que classifica como arte apenas aquilo que é erudito e que vem de uma genialidade fora do normal, mas há também aqueles que pensam, agem, realizam e ensinam a arte como o filósofo britânico Robin George Collingwood, apresentado pela revista virtual Nova Escola, o qual diz que “arte é algo feito pelo ser humano para exprimir seus sentimentos subjetivos.
Sob esse ponto de vista, as obras artísticas falam de sonhos, epifanias, perplexidades, frustrações, dores, amores. São capazes de suscitar emoções no público que os fatos do dia a dia não conseguem transmitir.
Provocam riso, choro, reflexão, mudança de mentalidade. Daí sua importância na vida de cada um de nós.”
Isso traz o entendimento de que todos podem realizar e entender a arte, e claro que isso cabe inclusive na escola, afinal todos tem algo a expressar sobre o que sentem. E essa expressão não deve nunca ser esteriotipada, por que o ser humano não é assim, é preciso romper os limites, o que não quer dizer fazer o que se quer fazer, há um processo criativo, um mergulho no conhecimento de referências e materiais para produção da arte na escola.
Para que tudo isso aconteça de modo individual dentro da sala de aula, é preciso que o professor esteja preparado e de prontidão para atender e orientar nos desafios que a produção artística traz a cada um e isso enriquece o ser como cidadão.
Porém, um dado curioso a respeito do ensino da arte nas escolas, é que apenas 7,7% dos professores de Arte têm licenciatura em artes visuais, teatro, música ou dança, de acordo com levantamento do Movimento Todos pela Educação.
O educador deve extrair do aluno a criatividade que ele tem, pois isso não é exclusividade de gênios ou pessoas dotadas de um dom. A arte auxilia a encontrar respostas, a se entender melhor, a se questionar mais e assim avançar rumo a um cidadão melhor e tudo de maneira natural no dia a dia das aulas de Artes.
Para exemplificar tudo isso, a revista Nova Escola, apresentou a vivência da professora da Escola de Aplicação da USP, Kelly Sabino, a qual transcrevo abaixo, deixando a todos uma reflexão sobre a importância e a necessidade do contato que todos devem ter com a arte:
“Eu queria que a turma do 4° ano vivenciasse o processo artístico completo de uma animação. Começamos vendo o surgimento do cinema, com o flipboard. Trouxe a clássica história do magnata que jurava que seus cavalos tiravam as quatro patas do chão ao correr.
Ele contratou um fotógrafo para provar que estava certo e só ganhou o desafio porque as imagens foram postas em sequência - como nas animações.
Em seguida, fizemos um zootropo, um tambor circular com pequenas fendas por onde se vislumbram algumas figuras. Quando giramos o objeto, elas se movem.
Completei o trabalho de repertório com diversas animações, que a criançada assistiu empolgada. Quando chegou a hora da produção, meu papel era ajudar a resolver as dúvidas.
Percebi que alguns cuidados, como a sequência certa de cenas e ângulo, vieram das referências com as quais eles tiveram contato nas aulas. Com essa base, eles entenderam que são capazes."

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